Valdir Aguilera
 Físico e pesquisador

 

 

Evidências científicas aproximam a ciência da filosofia espiritualista

Marclei Barbosa Santiago

A ciência, em suas investigações na busca de novas descobertas, sem o querer, aproxima-se cada vez mais do conhecimento produzido e difundido pela filosofia espiritualista. Fato este previsto e registrado pela doutrina racionalista cristã através de sua vasta literatura. Existe entre a ciência e a filosofia espiritualista uma lacuna que, gradativamente, deve ser preenchida por esforços de ambas as partes. Neste cenário a doutrina racionalista cristã procura delinear e construir a ponte ou elo entre o espiritualismo e a ciência. Desde a sua concepção e implantação esta doutrina provê através de seu arcabouço teórico – fundamentos espiritualistas – e prático – sua metodologia de pesquisa e trabalho continuamente renovada – argumentos racionais, consistentes e autossustentáveis àqueles que buscam nestes as respostas para suas próprias indagações e explicações para questões que a ciência não responde.

São inúmeras as evidências científicas que, paulatinamente, vêm estreitando a distância entre a ciência e a filosofia espiritualista. Vamos retratar uma das recentes e interessantes descobertas científicas: trata-se dos avanços em estudos, pesquisas e experimentos científicos na área do conhecimento denominada neurociência, chamando a atenção para a importância do sono na ativação e aceleração do processo de drenagem cerebral – limpeza do cérebro, quanto ao lixo tóxico eliminado por este – e a importância deste processo de drenagem na prevenção do Alzheimer, Parkinson e outras enfermidades neurodegenerativas causadas pela idade. Primeiramente será abordado, na visão racionalista cristã, o fenômeno do sono, como ocorre, suas causas e efeitos.

Processo do sono na visão RC Durante o sono o espírito, vibrando em seu corpo fluídico e através deste ao seu corpo físico, ambos – espírito e corpo fluídico – se exteriorizam em relação ao seu corpo físico através do fenômeno psíquico de desdobramento. Tanto o sono natural quanto o induzido ocorrem através do fenômeno de desdobramento. Em síntese é o desdobramento a causa primordial,
real e verdadeira do sono, que acontece na esfera metafísica ou extracorpórea (externa ao corpo físico). Conforme seu estado psíquico e consequente frequência de vibrações, o espírito desloca-se para fora da atmosfera fluídica da Terra ou permanece nela. O desempenho em todo o desenrolar do processo do sono está na dependência direta de em que campo fluídico encontra-se o espírito. Durante o fenômeno do sono, o espírito fica em permanente vigília e, em conformidade com seu estado vibratório e o seu grau de evolução, passa a executar inúmeras atividades metafísicas no campo fluídico em que se encontra, dentro ou fora da atmosfera fluídica da Terra,   
atividades estas marcantes que influem no bom ou mau desempenho das atividades físicas, corporais, que fazem parte do processo do sono. O espírito vibra, permanentemente, em seu corpo fluídico e por intermédio deste ao seu corpo físico, desencadeando no fluídico a reposição anímica e no físico necessários processos fisiológicos de remoção, reposição e correção física. O sono é uma necessidade psíquica e, também, física. Ele é fundamental para a saúde física e psíquica, pois revigora a vida anímica e possibilita ao corpo físico refazer-se, reparando suas perdas e trazendo inúmeros benefícios para a prevenção de enfermidades, inclusive as neurodegenerativas, que são destaque neste artigo. O sono natural ou induzido – provocado por técnicas como hipnose ou através da aplicação de medicamentos – assim como os fenômenos de caráter psíquico, como sonho, alucinação, pesadelo, sonambulismo, surto psicótico, transtorno depressivo, transtorno bipolar, transtorno obsessivo compulsivo, esquizofrenia, fobia, loucura, transtorno pós-traumático, o desdobramento na forma inconsciente ou semiconsciente, nenhum desses fenômenos pode ser explicado de forma consistente, compreensível, racional e satisfatória apenas pelos processos fisiológicos comuns e ordinários tão bem explorados, aplicados e divulgados pela ciência materialista ou organicista. A ciência precisa compreender que a causa primordial do sono é de fundo psíquico, por isto está localizada fora do cérebro, fora do corpo físico, e que as atividades fisiológicas que ocorrem no corpo físico e seus desempenhos relacionadas ao sono, são mais efeitos e não causas do fenômeno do sono.

Cérebro humano O cérebro humano pesa cerca de 1,36 kg, ou cerca de 2% da massa corporal média de um adulto. No entanto, suas células consomem de 20% a 25% da energia total do corpo físico. No processo, são gerados resíduos potencialmente tóxicos de proteínas e restos biológicos. A cada dia, o cérebro adulto elimina aproximadamente 7 gramas de proteínas desgastadas, que precisam ser substituídas por outras recém-fabricadas, um número que se traduz na reposição de 0,217 kg de detritos por mês e 2,604 kg durante um ano, aproximadamente o dobro do peso do cérebro.

Lixo tóxico cerebral Um sistema intrincado de vasos – o sistema glinfático – serpenteia pelo cérebro, carregando fluidos que limpam esse órgão de proteínas descartadas e de outros tipos de lixo, que podem aglomerar-se e tornar-se tóxicos, quando deixados ali. Fragmentos de proteínas, conhecidos como peptídeos beta-amilóides, que estão presentes na doença de Alzheimer, são exemplos dos detritos celulares tirados do cérebro através do sistema de drenagem, em sua maioria durante o sono. Esse sistema de drenagem é, também, denominado de sistema de esgoto do cérebro. A neurociência afirma que o cérebro, como outros órgãos do corpo físico, necessita para sobreviver descarregar o lixo tóxico que produz. Nos últimos anos, investigações científicas esclarecem e demonstram como o cérebro elimina proteínas e outros resíduos e, também, como a interferência nesse processo de drenagem – limpeza – do lixo tóxico pode causar problemas de cognição encontrados em doenças neurodegenerativas como Alzheimer, Parkinson e outras enfermidades decorrentes da idade.

Simulação em laboratório Os agregados de proteínas se formam nos neurônios e na maioria das vezes estão associados a desordens neurodegenerativas. Esses agregados de proteínas ou lixos tóxicos cerebrais, quando não eliminados, impregnam o tecido cerebral impedindo a transmissão de sinais elétricos e químicos no cérebro e com isto causam danos irreparáveis. A proteína beta-amilóide desencadeia um processo que degrada as estruturas que os neurônios utilizam para se comunicar, ou seja, favorece o enfraquecimento das sinapses – as estruturas de passagem dos impulsos nervosos de um neurônio para outro. Prova disto é realizada em testes de laboratório quando os cientistas conseguem reproduzir patologias como Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas causadas pela idade através da superprodução forçada desses agregados ou aglomerados de proteína em modelos animais.

Privação de sono pode precipitar doenças neurodegenerativas Experiências realizadas em laboratórios com modelos animais mostram que, durante o sono, o sistema glinfático realmente remove os fragmentos de proteínas do cérebro com notável eficiência. Constata-se que o ritmo de limpeza mais do que dobra durante o sono. Confirmando estes experimentos grupos de pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis, em trabalho de pesquisa colaborativo, demonstraram que a concentração de fragmentos de proteínas no espaço intersticial é mais alta no período de vigília do que no sono, e que a privação de sono agrava a formação de placa-amiloide em modelos animais geneticamente modificados para acumulá-la em excesso.

Sono ativa sistema de limpeza do cérebro Pesquisas científicas, além de descobrir que existe um sistema até então desconhecido para limpar as proteínas e outros resíduos do cérebro, provam, através de experimentos, que esse sistema fica mais ativo durante o sono. Cientistas estão delineando novas pesquisas que buscam investigar, com maior profundidade, a necessidade e como se processa a remoção de lixo tóxico do cérebro e, também, investigar com profundidade o processo do sono. Chamamos a atenção do leitor para uma perspectiva interessante: esses esforços devem trazer subsídios para auxiliar a explicar o fenômeno do sono, o real motivo de por que dormimos e consequentemente saímos da vigília durante aproximadamente um terço ou um quarto de nossas vidas. Pesquisadores estão otimistas que o entendimento sobre o que acontece quando esse sistema de limpeza do cérebro não funciona corretamente nos leve tanto a novas técnicas de diagnóstico quanto a tratamentos para toda uma variedade de doenças neurológicas. Interessante é que nesse pacote de investigações científicas que está por vir o processo ou fenômeno do sono deverá ganhar destaque em fórum científico. A ciência, na busca de investigar a verdade quanto ao processo do sono, suas causas, efeitos e como ele ocorre, acabará mergulhando nos estudos e observações do mundo metafísico e não apenas tratar o sono como um mecanismo de causa e efeito puramente físico. O sono é um fenômeno cuja causa primordial é metafísica, de cunho psíquico, e a ciência, tendo que caminhar pelo campo do psiquismo, acabará interessando-se, espontaneamente ou por necessidade de investigação, em conhecer e prospectar conhecimentos junto à filosofia espiritualista. Existe entre a ciência e a filosofia espiritualista uma lacuna que, gradativamente, deve ser preenchida por esforços de ambas as partes.

Método proposto Metodologia científica é o conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. É a aplicação do método, através de processos e técnicas, que garante a legitimidade do conhecimento obtido. O método comparativo, que é um dos tipos de métodos reconhecidos como válidos para se aplicar em pesquisas científicas, compara dois ou mais objetos de estudos através de exame minucioso dos dados levantados, com a finalidade de verificar semelhanças e divergências entre eles. Portanto, é um método que se encaixa perfeitamente bem como estratégia de ação para aproximar a ciência da filosofia espiritualista. À medida que a ciência avança em seus experimentos e descobertas vai fornecendo à humanidade evidências e provas irrefutáveis sobre diversos objetos de estudo pertencentes a diversas áreas do conhecimento científico. Partindo das evidências e provas científicas e adotando o método científico comparativo proposto, podemos realizar o batimento dos resultados científicos obtidos em seus experimentos com os conhecimentos que a filosofia espiritualista fornece através de sua vasta literatura e dos resultados de suas práticas. Com a aplicação criteriosa e contínua do método comparativo, apontando as similaridades do conhecimento científico com o filosófico-espiritualista, a ciência passará a dar credibilidade ao que sustenta esta filosofia, e com o passar do tempo virá, espontaneamente, investigar o arcabouço teórico e prático da filosofia espiritualista. Esse momento, tão esperado, será um marco nas conquistas científicas e filosóficas, estreitando a lacuna existente entre a ciência e a filosofia espiritualista e fortalecendo o elo entre elas. A filosofia espiritualista, que trata do autêntico espiritualismo, unifica todas as áreas do conhecimento científico em uma síntese admirável. Por isto, temos que ser otimistas, proativos, e passar a assumir uma posição crítica e racional frente à realidade que separa o conhecimento científico do conhecimento filosófico-espiritualista.

Referência bibliográfica: Racionalismo Cristão, 45ª edição (2015); A vida fora da matéria, 24ª edição (2015); Ciência espírita, 8ª edição (1992); Doutrinações publicadas pela Casa-Chefe do Racionalismo Cristão (2011-2016); Scientific American (2016); Centro de Neuromedicina da Universidade de Rochester (2012-2013); Kim et al. Science (2013).

(O autor é professor universitário, militante da Filial Patrocínio-BH, MG)
Publicado no jornal A Razão, edição de junho de 2016.


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