Valdir Aguilera
 Físico e pesquisador

 

 

Evolução da Força

Valdir Aguilera

Os elementos fundamentais do Universo são Força e Matéria. A Força e, portanto, o Universo estão em constante evolução. A evolução da Força ocorre com a ação dela sobre Matéria de diferentes densidades, que definem categorias. Estas são essenciais, como campos de manifestação de Forças, para oferecer as condições necessárias para sua evolução.

Atuando em campos de manifestação diferentes, a Força faz aflorar e desenvolve atributos, que traz em estado potencial, passando por várias etapas evolutivas, em conformidade com a Lei da Evolução, talvez a lei mais importante do Universo. É essa lei que determina e organiza as etapas. Uma Força não desenvolve qualquer atributo sem antes estar preparada para isso. “A natureza não dá saltos”, princípio enunciado pelo filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). É conhecido como princípio da continuidade. Foi mencionado por Darwin na formulação da sua teoria da evolução das espécies. Naqueles campos, a Força constitui corpos com propriedades determinadas pela categoria da matéria local. No plano físico a matéria se diz densa e esses corpos se apresentam no estado sólido, líquido, gasoso ou plasmático. Em planos astrais, os corpos são de natureza fluídica.

Da ação da Força sobre Matéria, atividade que é ininterrupta, encontra-se o Universo em uma constante transformação. Não há repouso ou inatividade em qualquer ponto dessa imensidão. Tudo nele está constantemente se transformando. Parafraseando John Frances Welch Jr., um executivo norte-americano, se gá algo constante no Universo, esse algo é mudança. No plano terreno, as transformações ocorrem nos reinos da natureza. Cada reino tem seus campos específicos para manifestação da Força.

Reino mineral  “O que está em cima é como o que está embaixo”, afirmou Hermes Trismegisto por volta de 1.330 a.C. As transformações que observamos em todos os objetos do cosmo ocorrem também com os átomos. Nenhum desses objetos, cósmico ou microcósmico, mantém sua forma eternamente. Há alguns átomos que mantêm sua estrutura por apenas um par de horas.

Atuando em matéria densa, organizando átomos e moléculas, a Força desenvolve atributos físico-químicos. Os corpos que compõe são classificados com base na sua composição química e na sua estrutura cristalina – a forma em que os átomos ou moléculas são dispostos espacialmente. A Força evolui no reino mineral organizando estruturas cada vez mais complexas.

Reino vegetal Terminada sua passagem pelo reino mineral, a Força começa uma nova jornada pelo reino vegetal. Aí vai encontrar enorme variedade de espécies de arbustos, ervas, plantas, árvores etc., em que passa a desenvolver processos orgânicos, mais sofisticados do que os do reino mineral.

É no reino vegetal que a Força manifesta vitalidade, que vai ser essencial quando atuar no reino animal. Sem vitalidade, não pode haver locomoção, uma das características que mais se destacam no reino animal. A sensibilidade, comum aos animais, já se manifesta rudimentarmente em algumas plantas, que são capazes de reagir ao toque e à luz.

Reino animal Observando os animais, notam-se diferenças comportamentais. Alguns deles demonstram coragem, lealdade e gratidão, e outros não. Essas características são adicionadas à Força por meio de atuações dela em diversas espécies, que detêm os campos apropriados para a manifestação da Força nesse reino. Se uma força atuante no reino animal chegou a uma situação em que a coragem deve manifestar-se, ela não vai atuar no corpo de um passarinho. Um dos animais mais adequados seria um leão. Se está em condições de desenvolver a gratidão, não vai atuar no corpo de um escorpião.

A Força não precisa atuar em todas as espécies de animais para alcançar a condição de espírito. Nesse reino, como em todos os outros, há trajetórias específicas para diferentes objetivos a serem atingidos. Cada força tem um papel a desempenhar no Universo, um objetivo, definido pela Lei da Evolução. Trajetórias diferenciadas existem até nos mundos astrais. Os passos nessa caminhada evolutiva pelo reino animal são dados com a morte do corpo físico. Após uma morte, a Força que atuava no animal se desprende dele e permanece na atmosfera fluídica da Terra até haver condições para atuar em outro corpo.

A evolução se processa em uma escala gradual de espécies, promovendo a Força alterações na estrutura física do animal utilizando-se de matéria de categoria adequada encontrada nos diversos campos de manifestação encontrados na atmosfera fluídica do planeta Terra. Essa atividade permite obter, a cada nova vida, maiores condições de aperfeiçoamento do cérebro do novo corpo. A possibilidade de locomoção permite, também, acumular experiência e, consequentemente, uma mais rica situação evolutiva.

Toda essa dinâmica do reino animal não permite, ainda, desenvolver atributos espirituais, embora em alguns, como os domésticos, o instinto já está desabrochando em forma de raciocínio rudimentar.

Os criadores da teoria da evolução das espécies, Darwin e Wallace, asseveraram que os animais seriam a última etapa de uma trajetória evolutiva que termina no reino hominal. Em nossa linguagem, todas as trajetórias disponíveis para a Força que atua no reino animal cumprir as diversas etapas da evolução convergem a um mesmo ponto: o reino hominal. Mas não terminam aí, deve-se acrescentar.

É interessante mencionar o que disse o poeta-místico persa Jalalu Rumi (1207-1273):

“Morri como mineral e me tornei vegetal;
morri como vegetal e me tornei animal;
morri como animal e me tornei homem.
Por que deveria temer [a morte]? Quando foi que me tornei menos morrendo?”

Reino hominal O termo hominal foi cunhado por Aristóteles. Nesse reino, e nas etapas seguintes da evolução, a Força passa a ser denominada espírito.

Como ocorre no reino animal, a evolução do espírito ocorre com a ação dele em vários corpos. A esse processo se dá o nome de encarnações. Em cada uma delas,  o espírito traz um repertório de atributos manifestados e desenvolvidos nas etapas anteriores.

A faculdade mais lembrada do ser humano é sua capacidade de raciocinar. O homem não é chamado de animal racional? É esperado dele que aprimore essa capacidade, aprendendo a raciocinar com acerto. Há outros atributos a serem desenvolvidos, conforme informa o Racionalismo Cristão.

É na condição de espírito que a Força manifesta a faculdade do livre-arbítrio tornando-a responsável pelos seus atos.

Reino espiritual A evolução do espírito é eterna. Após completar sua passagem pelos reinos aqui mencionados, o espírito prossegue sua caminhada em mundos astrais desenvolvendo novos atributos e faculdades que sequer conseguimos imaginar. Também não sabemos quais as tarefas que lhe cabe executar na trajetória que o conduz a ocupar seu lugar e suas funções na dinâmica do Universo.  Sabemos, porém, que muitos deles decidem trabalhar nas correntes formadas pelas casas racionalistas cristãs.

Convidamos o leitor a interpretar sob as luzes dos ensinamentos racionalistas cristãos os seguintes versos do mesmo poeta, Rumi:

“Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro foste mineral,
depois te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?
Finalmente foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo – um punhado de pó – vê qual perfeito se tornou!
Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a Terra."

Publicado no "A Razão" de fevereiro de 2018

De "Evolução da Força" para "Artigos"

Copyright©2008 valdiraguilera.net. All Rights Reserved