Valdir Aguilera
 Físico e pesquisador

 

 

História do racionalismo - 94. Arquimedes

J. Alves Martins

Aquele que tentou e não conseguiu é superior àquele que nada tentou.

O autor da frase em epígrafe é Arquimedes de Siracusa (c. 287-212 a.C.) -- uma das mentes geniais da Grécia antiga que se destacaram pela diversidade de conhecimentos. Era filósofo, porém apenas em suas raríssimas horas vagas, em que também escrevia frases, haja vista a do título. Mas, de fato, era, acima de tudo, matemático, físico, astrônomo, inventor e engenheiro.

Segundo a opinião de grandes historiadores e outros estudiosos, Arquimedes foi certamente o mais importante cientista e inventor da Antiguidade, bem como um dos maiores matemáticos e físicos de todos os tempos, ao lado de Isaac Newton, Carl Friedrich Gauss e Leonhard Euler. Um desses estudiosos chega mesmo a proclamá-lo "um dos supremos intelectos da civilização ocidental".

Trata-se, na verdade, de um dos titãs da ciência aos quais se refere Isaac Newton: "Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes".

É estranho ou mesmo inexplicável, no entanto, que, em se tratando de uma personalidade histórica e cientificamente tão importante como Arquimedes, muito pouco ou mesmo quase nada se conheça sobre a vida particular dele. Consta que uma biografia de Arquimedes chegou a ser escrita por um de seus amigos chamado Heráclides, mas lamentavelmente se perdeu.

Ao certo, sabe-se, pelo menos, que nasceu e veio a morrer em Siracusa, cidade portuária da Magna Grécia. Essa região, colonizada, então, pelos gregos, se estendia do sul da Itália a uma ilha que se chamava, havia séculos, Trinácria, distante apenas três quilômetros da península itálica, o "País da Bota". (A ilha se chama hoje Sicília.)

No entanto, Arquimedes era ainda jovem quando partiu de Siracusa para viver em Alexandria, metrópole egípcia que, relembre-se, tornara-se o centro intelectual do mundo grego pós-Alexandre Magno.

Ao mudar-se para lá, Arquimedes passou a frequentar a Universidade de Alexandria e aproximou-se dos mais ilustres mestres residentes na cidade, como Eratóstenes de Cirene, astrônomo e matemático, e Conon de Samos, também astrônomo e matemático, entre outros.

Suas investigações e descobertas científicas foram de extrema importância para a matemática, a astronomia, a física e a engenharia, pois, na verdade, antes da galeria de grandes cientistas da geração de Arquimedes a ciência ainda engatinhava.

Uma das maiores contribuições de Arquimedes para o desenvolvimento científico foi, sem dúvida, a invenção da hidrostática -- parte da hidromecânica que estuda o equilíbrio dos líquidos e dos gases sob a ação da gravidade. Ou seja, "todo corpo quando mergulhado num fluido (em forma líquida ou gasosa) sofre, por parte desse fluido, uma força vertical para cima, que tem a mesma intensidade do peso do fluido deslocado pelo corpo".

Entre suas descobertas na área da matemática, estão os principais teoremas sobre a geometria dos círculos, cones, cilindros, planos, esferas e parábolas. No campo da astronomia, seu trabalho consistiu principalmente em elaborar um mapeamento esférico do céu em três dimensões. E, no que tange à física, seus estudos foram direcionados no sentido de projetar alavanca, polia e o parafuso que ficou conhecido como "O Parafuso de Arquimedes", que servia de bomba rotatória a fim de enviar água para abastecer córregos.

Ademais, sabe-se que Arquimedes dedicou-se também a inventar e produzir (apoiado financeiramente pelo tirano Hierão, que reinava em Siracusa), diversos tipos de armas bélicas para defender a cidade na época em que o exército romano iniciou ataques a Siracusa. Entre tais invenções, encontravam-se as catapultas e os espelhos que refletiam o Sol, causando incêndios em navios inimigos.

Mas apesar das invenções bélicas de Arquimedes, os romanos acabaram conseguindo invadir Siracusa em 216 a.C. Existiam ordens de Roma para que ele fosse poupado. Lamentavelmente isso não ocorreu, pois Arquimedes acabou sendo morto a espada ao gritar com o soldado romano que o interrompeu num momento de concentração do cientista nuns cálculos referentes a uma nova invenção.

Obras de Arquimedes comumente mais citadas

Da Esfera e do Cilindro (considerada por ele a maior de suas realizações matemáticas);
A Medida do Círculo;
Dos Esferoides e dos Conoides;
Das Linhas Espirais;
Do Equilíbrio dos Planos;
Dos Corpos Flutuantes;
A Quadratura da Parábola;
O Contador de Areia;
O Método;
O Stomachion - Jogo Geométrico;
O Problema dos Bois.

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